Marcela: benefícios e contraindicações do chá - (2022)

Este conteúdo faz parte da categoria Medicina Alternativa e pode conter informações que carecem de estudos científicos e/ou consenso médico.

Marcela é um dos nomes populares da espécie Achyrocline satureioides, nativa do Brasil e muito popular no sul do país. Ela é utilizada no preparo de um remédio caseiro utilizado como um calmante natural.

Além de “acalmar os nervos” essa plantinha, também conhecida como macela-do-campo ou camomila-nacional, pode ajudar a aliviar e reduzir os sintomas das doenças inflamatórias, auxiliar no tratamento de infecções e proteger a pele contra agressões externas.

Marcela: benefícios e contraindicações do chá - (1)

O melhor de tudo é que a erva é bem fácil de ser encontrada e possui poucas contraindicações de uso.

Índice

Benefícios da marcela para a sua saúde

Acalma de maneira natural

Nas flores da marcela são encontradas substâncias reconhecidas como depressoras do Sistema Nervoso Central (SNC), por isso um dos seus principais benefícios é como calmante natural.

Esse efeito pode ajudar no controle da ansiedade e estresse, pois diminui a agitação e faz o corpo “entender” que é hora de relaxar. (1)

Devido a esse efeito sobre o SNC a infusão não só induz o sono, como aumenta o tempo que uma pessoa passa dormindo, indicando que ela pode ser utilizada também como uma terapia natural para pessoas que sofrem com insônia. (2)

Alivia as dores

Tomar uma xícara do chá preparado com as flores desta erva consegue ser, dependendo das doses utilizadas, mais eficaz do que um comprimido de aspirina no alívio das dores.

O potente efeito analgésico se deve à presença de compostos conhecidos como flavonoides, responsáveis por dar um tom vibrante as flores.

Quando consumidas na forma de infusão, essas substâncias possuem o poder de reduzir as contorções, colaborando diretamente com o alívio das dores, principalmente as causadas por espasmos, como as musculares e cólicas menstruais. (2)

Trata infecções

O chá de marcela é eficaz no tratamento de infecções, tanto as causadas por vírus, quanto por bactérias e alguns tipos de fungos.

Os compostos que são extraídos das flores são capazes de impedir a proliferação de bactérias como a Salmonella enteritidis, que pode causar infecções gastrointestinais e da Staphylococcus aureus, que causa desde pneumonia a infecções no coração e ossos. (3)

Em relação aos vírus, a infusão consegue parar a replicação de micro-organismos causadores da gripe (influenza), do resfriado comum e mais dos causadores da herpes, conhecidos como citomegalovírus.

A planta ainda inibe o crescimento do Candida albicans, espécie de fungo causador da candidíase, tipo de infecção vaginal. (1)

Controla a glicemia

Quem sofre com a diabetes, enfermidade derivada da dificuldade de absorção ou baixa produção de insulina, pode se beneficiar com outro benefício encontrado nas flores da marcela: o controle da glicemia.

Os flavonoides coíbem a produção das glicosidases, que são um tipo de enzima que participa da transformação dos carboidratos em glicose.

Além do mais, a erva mostrou o potencial de inibição contra duas outras enzimas: a maltase, liberada pelo intestino delgado, e alfa-amilase pancreática, ambas com participação ativa no aumento do nível de glicemia no sangue.

Consumir a infusão com regularidade pode ser de grande auxílio para estabilizar os níveis de açúcar de quem luta contra essa doença. (4)

Protege o fígado

Os flavonoides encontrados nas flores da marcela também tornam o chá da erva uma ótima opção para dar aquela forcinha para o fígado funcionar corretamente.

A planta contribui para o aumento da glutationa, uma molécula antioxidante que protege as células hepáticas contra a oxidação (degradação), bem como estimula a produção de bile, que é um tipo de detergente natural que o organismo usa para quebrar a gordura.

Além de proteger a integridade das células, prevenindo que as mesmas sofram alterações causadas pelos danos. Isso é útil na prevenção e combate ao câncer de fígado. (5)

Combate a degeneração do cérebro

Consumir o chá da marcela colabora com o tratamento e prevenção de alguns tipos de doenças neurodegenerativas (que causam a morte dos neurônios). Ela possui efeito anti-apoptótico, que previne a morte precoce dessas células. (1)

Por ser rica em quercetina, luteolina e isoramnetina, a marcela previne lesões decorrentes de problemas como Acidente Vascular Cerebral (derrame) e isquemia (quando o órgão recebe pouco oxigênio).

O resultado é um menor risco de desenvolver alguma dessas enfermidades ou uma recuperação mais rápida do quadro de pessoas que já passaram pelo problema.

A erva é segura, por isso pode ser usada até por idosos ou pessoas que estejam no grupo de risco dessas doenças. (6)

Recupera a pele

Não apenas o consumo do chá traz benefícios para o organismo. A mesma infusão pode ser utilizada para aplicação tópica, ou seja, na pele para aliviar os sintomas de queimaduras solares. [Veja como clarear manchas de sol]

As flores da erva possuem potencial de proteção contra os raios ultravioleta, que penetram na pele e aumentam os riscos de câncer, manchas e envelhecimento precoce.

Ela pode ser aplicada no pós-sol, promovendo a recuperação mais rápida da região e o alívio dos desconfortos. (7)

Como preparar o chá de marcela?

Marcela: benefícios e contraindicações do chá - (2)

Prepara o chá de marcela é fácil. Coloque 1 colher (de chá) de flores de marcela em uma xícara com água fervente, tampe e deixe abafado por, pelo menos, 10 minutos para extrair todas as propriedades medicinais.Após isso, basta coar e beber ainda morno.

Cuidados e contraindicações

A marcela é considerada uma planta segura. O consumo da erva nas doses indicadas não causa nenhum tipo de sintoma ou alteração biológica.

No entanto, diabéticos e grávidas só devem fazer o uso sob acompanhamento de um especialista.

Além do mais não é necessário tomar mais do que 4 xícaras do chá por dia, pois essa quantidade já é mais do que suficiente para absorver todas as propriedades terapêuticas dela. (8)

Onde encontrar?

É possível encontrar essa planta crescendo naturalmente em campos e às margens de estradas, visto que ela não precisa de muitos cuidados e se espalha bem fácil, motivo pelo qual é considerada uma erva-daninha.

Caso não ache na sua região, fique tranquilo pois ela pode ser comprada em feiras e lojas especializadas em produtos naturais.

Referências

(1) BARATA, L.E.S. et al. Plantas Medicinais Brasileiras. I. Achyrocline satureioides (Lam.) DC. (Macela). Revista Fitos, v.4, n.1, p.120-125, 2009. Disponível em: http://revistafitos.far.fiocruz.br/index.php/revista-fitos/article/view/91. Acesso em: 5 de dezembro de 2019.

(2) SIMÕES, Claúdia Maria Oliveria et al. Pharmacological investigations on Achyrocline satureioides (Lam.) DC., compositae. Journal of Ethnopharmacology, v.22, n.3, p.281-293, 1998. Disponível em: https://doi.org/10.1016/0378-8741(88)90239-5. Acesso em: 5 de dezembro de 2019.

(3) MOTA, F.M. et al. Atividade antibacteriana in vitro de inflorescências de Achyrocline satureioides (Lam.) DC. – Asteraceae (“macela”, “marcela”) sobre agentes bacterianos de interesse em alimentos. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, v.13, n.3, p.298-304, 2011. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S1516-05722011000300008. Acesso em: 5 de dezembro de 2019.

(4) MORESCO, Karla Suzana. Efeitos terapêuticos de Achyrocline satureioides (LAM).: Estudos in vivo e in vitro. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2017. Disponível em: https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/175026. Acesso em: 5 de dezembro de 2019.

(5) KADARIAN, C. et al. Hepatoprotective activity of Achyrocline satureioides(Lam) D. C.Pharmacological Research, v.45, n.1, p.57-61, 2002. Disponível em: https://doi.org/10.1006/phrs.2001.0904. Acesso em: 5 de dezembro de 2019.

(6) MEGRET, Felicia Rivera et al. Achyrocline satureioides (Lam.) DC. (marcela) reduce el daño cerebral en la isquemia focal permanente en ratas. Revista Cubana de Plantas Medicinales, v.28, n.3, p.445-460, 2013. Disponível em: http://scielo.sld.cu/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1028-47962013000300011. Acesso em: 5 de dezembro de 2019.

(7) MORQUIO, Andrea; MEGRET, Felicia Rivera; DAJAS, Federico. Photoprotection by Topical Application of Achyrocline satureioides (‘Marcela’). Phytotherapy Research, v.19, n.6, p.486-490, 2005. Disponível em: https://doi.org/10.1002/ptr.1665. Acesso em: 5 de dezembro de 2019.

(8) RIVERA, F. et al. Toxicological studies of the aqueous extract from Achyrocline satureioides (Lam.) DC (Marcela). Journal of Ethnopharmacology, v.95, p.359-362, 2004. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.jep.2004.08.013. Acesso em: 5 de dezembro de 2019.

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Author: Prof. An Powlowski

Last Updated: 11/01/2022

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